quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ele Diz

Olá...
Foi bom te ver
Talvez... Seja o destino que trouxe aqui
Assim tão pertinho
de um "Zé ninguém"
Que precisa de amor.

Saber...
O que fazer
Já não... é uma escolha se me vejo assim
Aqui tão pertinho
De um de seus "olás"
Me desculpe, por favor

Já me perdi no seu olhar
Num canto dele fiz meu lar
Nem te pedi, mas por favor.
Posso ficar?

Te dou rabiscos por fazer
Sei que não vão te agradar
Pois não completo os meus traços
sem você...

Olá...
foi bom te ver.

sábado, 23 de novembro de 2013

Remédios

Quanto tempo?
Dias?
Meses?
 Anos?
Meu escudo se fortaleceu.
Você se lembra dele?
Medo... Era como costumavam chamar naquela época.
Sempre achei isso engraçado.
Parece que você também achou graça.
Minha tolice também aumentou um pouco.
De uns tempos para cá eu descobri uma coisa.
Posso te contar?
Mas é segredo.
Não há mais tempo.
O que aconteceu de lá pra cá?
Quantos tolos você teve aos seus pés nesse “meio tempo”?
Por favor, não sorria desse jeito.
Não finja que não ouviu, não finja que não viu.
Não lembra?
Que seja! Talvez seja melhor fingir.
Mas quem é você?
O que faz aqui?
Conversávamos? Sobre?
O tempo?
Ah... O tempo.
Que tempo?
Quanto tempo?
Quanto vale o tempo?
Nosso tempo.
Talvez só.
Só meu.
Meu...
Perdido.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Run With The Wind


     Andava pela rua com seus passos largos e olhar distante, atentando-se algumas vezes ao seu relógio de pulso. Quanto tempo de sua vida já perdera? Não prestava atenção no transito, no clima, nem nas pessoas. Pouco lhe importava, também nunca recebera a devida atenção. Era culpado. Encostou-se em um muro perdendo-se na sombra de uma antiga loja de utilidades bastante popular em seu bairro. Olhando para o céu e respirando o ar frio daquela noite de outubro em meio à escuridão pôde perceber: ele era uma sombra. Uma sombra de tudo o que sonhou ser, um retrato escuro e mal pintado de um cidadão de bem, a folha amassada de um quadrinho do seu super-herói favorito. Como um retrato imundo como aquele havia chegado até ali? 
     Às sombras daquela velha loja não podia ser notado, muito menos ignorado como de costume. Isso o deixava feliz. Era culpado. Lembrou-se das brincadeiras de criança, dos contos e fantasias que encarnava com seus bonecos. Os atos heroicos, os desejos inocentes, o quanto se sentia feliz ao salvar a princesa daquele reino enfestado de dragões. Como aquele garoto tímido e gentil de 8 anos de idade se tornara aquele monstro? Aonde foram parar os seus sonhos? Vasculhou a lata de lixo mais próxima; não os encontrou. O cheiro do lixo embrulhou seu estomago, já estava acostumado com aquilo. O que era mesmo? A solidão? A falta de um abraço? Não. Já não sentia mais aquilo. Era culpado. 
     Abraçando sua barriga com força, sentou-se  na calçada. Sorriu, rio, gargalhou! Sempre foi tão imbecil assim? Quantas pessoas haviam sofrido para despertar aquele riso? Quantas pessoas aquela sombra de tudo que sonhou havia magoado? Quantas vidas havia arruinado? Quantos corações despedaçado? Não importava. Estava feliz por ter deixado todos para trás. Era o seu primeiro ato de generosidade. Poderia ser o lixo de sempre longe das pessoas que amava. Era culpado. 
     Uma criança com olhos curiosos solta a mão da mãe e atravessa a rua em sua direção. Um carro se aproxima em alta velocidade, ele sorri de canto de boca em meio às sombras da velha loja de utilidades. Nada como a desgraça alheia para lhe fazer ganhar o dia. O carro buzina, não dá tempo de frear. A colisão não foi evitada. Uma criança tremula e assustada chora em frente a uma velha loja de utilidades em uma fria noite de outubro. Aos seus pés, um retrato escuro e mal pintado de um cidadão de bem descansa sobre uma poça de sangue. Idiota! O fim de um verme que não sabia ser ruim. Era culpado.

domingo, 6 de outubro de 2013

Genu

Já não sabia como prosseguir
com tantas mágoas e feridas
As lágrimas que percorriam sua pele morena
e castigada já não faziam sentido
Genu amava fácil e sofria fácil
Sorria fácil, mas era fácil de se magoar
Genu permeava todos os sentimentos com uma espantosa facilidade
Nunca vivera o que pensara, nunca tivera o sonhara
Nunca recebera carinho nem ouvira palavras de conforto até aquele dia.
A pobre moça nunca aprendeu a esquecer.
Vivia afogada num velho poço de saudade,
pois o nome da moça era Ingenuidade.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Posso te chamar de Celeste?

Estava lá tão Sol e sem luar.
De repente você passa por mim, outra estrela decadente.
Por favor, não reflita a gravidade dos meus atos. 
Permita que eu, cometa, outro eclipse para te consolar.
Mesmo quando minguantes nos aninhamos fazendo-nos crescentes
Mesmo cheios de incertezas nos notamos novos um ao olhar do outro
Hoje podemos sentar em nossas orbitas celestes atentos a nós mesmos
Ouviu isso? É a cadência de um velho conto de fadas
Uma vez me disseram que as fadas não dormem
Disseram que elas passam a vida escrevendo histórias 
Os contos mais lindos que se possa imaginar
E que só descansam quando o seus contos se realizam
E só então podem se apagar num adeus
Num final feliz
Naquele "viveram felizes para sempre"
Bobagem, né? Não me julgue. Foi o que me contaram.
Só não quero me apagar
Eu sou Sol, você luar.
Posso ser luar se você se sentir Sol.
Somos dois "Sóis" e não nos apagamos pois nos apegamos.

[...] love doesn't last [...]

"I'd rather be alone than crying tonight
I'd rather be alone than make you cry
'Cause love doesn't last".

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Hipnos

Há dias venho tentando
desviar do teu olhar.
Tão puro e inocente
mergulho profundamente
na escuridão dos teus olhos.
Esqueço todos e tudo
já sem razão pra acordar.
Me entrego aos delírios anódinos
livre de inquietações.
Saiba, meu instintos sentem
que nos negros olhos que mentem
eu talvez possa voar.
Vadio no seu vazio
tento alcançar o Sol.
Pobre Sol que não se apega apaga
seria muito tentar?
Mas sempre perco minhas "asas"
derretidas como sonhos.
As asas de um iludido
que enfadou-se de almejar.
E sempre me arrebento
num chão frio e salgado.
Perdão por eu ter chorado
mas é brusco o despertar.
Por isso, há dias eu tento
desviar do teu olhar.