sexta-feira, 12 de julho de 2013

Prólogo


Caminho por entre ruas e entro em vielas, buscando esconder-me de sua luz. A escuridão é minha melhor amiga. Ou seria minha maior inimiga? O amor que corre em minhas veias é forte, tão forte que não consigo vencê-lo, e consequentemente não consigo controlar o meu corpo. Há anos atrás eu não tentava fugir disso. Aliás, há anos atrás não, há séculos atrás.

Quando descobri que não poderia viver sem ela, foi um grande choque. Mesmo assim busquei encontra-la, Não! Busquei tê-la junto a mim. Doce ilusão. Do jeito que ela fitava-me, aparentando tanta solidão. O jeito que me iluminava nas noites mais confusas deram-me falsas esperanças.  Séculos depois foi que eu percebi como ela havia mudado, como elas estava mais radiante. Mas como?! Por que, se eu a negava meu amor a todo instante?! Logo voltamos ao começo, a parte em que “tento fugir do amor que sinto”. Tolice! Mas eu tenho os meus motivos, a sociedade me recriminaria se eu insistisse nesse amor. Vocês não acreditariam se eu os contasse o real motivo, diriam: “Corram! Tragam uma camisa de força, exilem esse louco!” Por isso contar-lhes-ei apenas uma pequena, mas importante, parcelo desse tal motivo.

O rei sol! O grande astro de todas as histórias! Afinal, como haveria uma final feliz se vivêssemos em uma escuridão eterna? Mas mesmo assim eu o odeio. Tu deves estar se perguntando: “O que tem o sol a ver com os delírios desse pobre homem?” Tudo! Exatamente ele é a razão para eu não querer mais viver. Digamos que o “grande rei” roubou todo o amor que ela sentia por mim. Eu não a recrimino, pois sem o sol ela nem ao menos seria vista ou notada; sem o sol eu não a teria conhecido. Ah! Cansei de enrolações! Irei contar-lhes toda a verdade desde o começo, e existe começo melhor do que o nosso nascimento?