quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Hipnos

Há dias venho tentando
desviar do teu olhar.
Tão puro e inocente
mergulho profundamente
na escuridão dos teus olhos.
Esqueço todos e tudo
já sem razão pra acordar.
Me entrego aos delírios anódinos
livre de inquietações.
Saiba, meu instintos sentem
que nos negros olhos que mentem
eu talvez possa voar.
Vadio no seu vazio
tento alcançar o Sol.
Pobre Sol que não se apega apaga
seria muito tentar?
Mas sempre perco minhas "asas"
derretidas como sonhos.
As asas de um iludido
que enfadou-se de almejar.
E sempre me arrebento
num chão frio e salgado.
Perdão por eu ter chorado
mas é brusco o despertar.
Por isso, há dias eu tento
desviar do teu olhar.



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Egéria Fétida

Sempre sonhei em escrever coisas belas,
mas só você  permeia minhas ideias.
E se tem uma coisa que não combina com você, meu bem, é a tua beleza.
Lembra? Nunca fui bom com as palavras.
Mas teu nome só me faz pensar nas mais sujas pertencentes ao meu vocabulário. 
Não a sujeira bonita e doce de um garoto 
que se lambuza ao comer uma maçã do amor 
na sua primeira ida ao parque de diversões.
Mas aquela sujeira que eu costumava arrastar para debaixo do tapete 
por volta dos meus nove anos de idade, 
pois não queria decepcionar meus pais.
Pensando bem, aquela sujeira ainda é muito inocente se comparada à podridão
do que sinto e penso quando o som do teu nome
alcança meus ouvidos já exaustos.
Portanto, se me perguntarem por que não escrevo, é isso que os direi:
Não quero transformar chorume em palavras,
nem palavras em lágrimas.
Vocês me entendem?
É que sempre sonhei em escrever coisas belas.